A Indústria Petrolífera do Reino Unido em 2026: O Que Está a Desaparecer, o Que Está a Nascer
No Mar do Norte, algo move-se nas sombras. Plataformas silenciam, licenças mudam de mãos, e números que poucos leem contam outra história. Em 2026, a indústria petrolífera britânica não desaparece — transforma-se, longe dos holofotes.
Entre o que se apaga e o que começa a ganhar forma, surgem sinais contraditórios. Para entender o que realmente está a acontecer, é preciso seguir as pistas certas.
Em 2026, o petróleo no Reino Unido não está apenas a morrer — está a transformar-se silenciosamente no alicerce invisível da transição energética britânica. E se não perceber isso agora, vai interpretar mal tudo o que está a acontecer no Mar do Norte.

A indústria petrolífera do Reino Unido não acabou — mudou de missão
Em janeiro de 2026, a produção de petróleo e gás do Reino Unido atingiu um facto histórico: os níveis mais baixos desde a criação da exploração no Mar do Norte nos anos 1970. Segundo dados oficiais atualizados a 5 de janeiro de 2026, a produção continua a cair a um ritmo anual entre 8% e 10%.
Mas aqui está o detalhe que quase ninguém menciona: o investimento não desapareceu. Ele mudou de objetivo.
Em 2025, o investimento no Mar do Norte ainda superou £5,9 mil milhões, impulsionado não por novos megacampos, mas por:
- extensão da vida útil de campos existentes
- captura e armazenamento de carbono (CCS)
- eletrificação de plataformas offshore
- infraestruturas reaproveitadas para hidrogénio

Uma história rápida do petróleo britânico — e por que 1999 ainda importa
A indústria petrolífera do Reino Unido atingiu o pico em 1999, com cerca de 2,9 milhões de barris por dia. Desde então, o declínio nunca parou.
- 1969: Primeira grande descoberta no Mar do Norte
- 1975: Início da produção comercial
- 1999: Pico histórico de produção
- 2010–2020: Envelhecimento acelerado dos campos
- 2024: Produção atinge mínimos do século XXI
- 2026: Transição estrutural irreversível
O erro comum é assumir que declínio significa irrelevância. No Reino Unido, significa algo muito mais estratégico.

Produção em 2026: números que mudam a narrativa
Dados consolidados para 2025 mostram que o Reino Unido produziu cerca de 1,05 milhões de barris de óleo equivalente por dia.
Isso é menos de metade do que em 1999. Ainda assim, cobre aproximadamente 45% da procura energética britânica.
O resto vem de importações — principalmente da Noruega, EUA e Médio Oriente. Esta dependência externa é o verdadeiro motor por trás da decisão política de não desligar o Mar do Norte de forma abrupta.

Economia: menos volume, mais valor estratégico
Em termos fiscais, o setor gerou £4,5 mil milhões em receitas para o Estado no ano fiscal 2024–2025. Isto representa uma queda face a 2023, mas continua a financiar programas públicos em larga escala.
- Emprego direto e indireto: ~150.000 postos
- Capex no Mar do Norte (2025): £5,9 mil milhões
- Centros-chave: Aberdeen, Shetland, Teesside
O que mudou foi a natureza do trabalho: mais engenheiros de sistemas, menos perfuração pura.

O papel oculto do petróleo na meta Net Zero 2050
O Reino Unido comprometeu-se legalmente a atingir emissões líquidas zero até 2050. O paradoxo?
Grande parte da infraestrutura necessária para cumprir essa meta depende… da indústria petrolífera.
- 90% dos projetos de captura de carbono usam infraestruturas offshore existentes
- Gasodutos antigos estão a ser convertidos para hidrogénio
- Plataformas eletrificadas reduzem milhões de toneladas de CO₂
Sem o know-how acumulado do Mar do Norte, a transição energética britânica seria mais lenta, mais cara e mais arriscada.
Conclusão: o fim que afinal é um meio
Voltamos ao início.
A indústria petrolífera do Reino Unido não está a desaparecer. Está a tornar-se invisível — integrada, silenciosa, estrutural.
Em 2026, compreender o petróleo britânico não é olhar para o passado. É perceber como um setor em declínio pode, paradoxalmente, sustentar o futuro energético de um país inteiro.
E agora que sabe isso, já não consegue olhar para o Mar do Norte da mesma forma.

