Carvão no Reino Unido em 2026: o fim não foi o que você pensa

O carvão saiu de cena — oficialmente. Na prática, continua a assombrar o sistema energético britânico, escondido em contratos, reservas estratégicas e decisões políticas que contradizem a narrativa verde.

Em 2026, o contraste é claro: fim declarado, dependências reais. É aqui que a história recomeça, examinando o que mudou, o que persiste e por quê.

Este não é um artigo sobre nostalgia industrial. É sobre poder, política, eletricidade e decisões que ainda afetam contas de energia, empregos e segurança nacional. O carvão saiu da rede elétrica em 1 de outubro de 2024. Mas os seus efeitos continuam a moldar o Reino Unido.

Antiga central elétrica a carvão no Reino Unido, símbolo da era industrial britânica

O facto inesperado que muda tudo

Em 2026, o Reino Unido é oficialmente livre de carvão na produção de eletricidade. A última central — Ratcliffe-on-Soar, em Nottinghamshire — foi desligada à meia-noite de 30 de setembro de 2024.

Mas aqui está o detalhe que quase ninguém percebe: o carvão não desapareceu do país.

Ele apenas mudou de função.

Uma linha do tempo curta — e brutal

• 1990: carvão = ~80% da eletricidade do Reino Unido
• 2012: ainda fornecia ~40%
• 2019: caiu para 2%
• 2023: menos de 1%
1 de outubro de 2024: zero

Foram apenas 12 anos para desmantelar a espinha dorsal energética que sustentou o país durante mais de um século.

Então por que ainda existem minas de carvão?

Esta é a parte que cria desconforto.

Em 2025, o Reino Unido ainda tinha 9 locais de mineração ativos, principalmente em:

  • País de Gales (Aberpergwm, Neath Port Talbot)
  • Cumbria (Ayle Colliery)
  • Forest of Dean (pequenas minas independentes)

Produção total no primeiro trimestre de 2025: ~31.700 toneladas. Emprego direto: cerca de 260 trabalhadores.

Esse carvão não vai para a rede elétrica. Vai para siderurgia, cimento, filtros industriais e exportação limitada.

Infraestrutura industrial ligada ao carvão no Reino Unido moderno

O verdadeiro substituto do carvão não foi o vento

O discurso popular diz que o carvão foi substituído por renováveis.

A verdade é mais precisa — e mais inquietante.

Em 2025, o mix elétrico médio da Grã-Bretanha foi:

  • Vento: ~30%
  • Solar: ~6%
  • Biomassa: ~7%
  • Nuclear: ~12%
  • Gás natural: ~27%
  • Carvão: 0%

O carvão saiu. O gás entrou como muleta.

Resultado: as emissões caíram drasticamente desde 2012, mas o sistema ainda depende fortemente de gás para estabilidade quando o vento falha e o sol se põe.

O impacto económico real — sem romantismo

No auge, mais de 1,2 milhão de pessoas trabalhavam no carvão britânico. Em 2026, são algumas centenas.

Mas aqui está o ponto ignorado: o emprego energético total cresceu.

Setores como eólica offshore, redes elétricas, armazenamento e engenharia de sistemas criaram dezenas de milhares de empregos — frequentemente em regiões costeiras e industriais antigas.

Saúde pública: o ganho silencioso

O fim do carvão reduziu drasticamente emissões de:

  • Dióxido de enxofre (SO₂)
  • Óxidos de nitrogênio (NOₓ)
  • Partículas finas (PM2.5)
  • Mercúrio

Isso não é abstrato. Significa menos asma infantil, menos AVCs e menos mortes prematuras — especialmente em Midlands, Yorkshire e norte da Inglaterra.

Paisagem industrial britânica após o declínio do carvão

O que vem a seguir não é sobre carvão

O debate energético de 2026 não é “carvão vs renováveis”.

É sobre:

  • Armazenamento de energia (baterias e hidrogénio)
  • Flexibilidade da rede elétrica
  • Redução da dependência do gás
  • Velocidade de licenciamento de infraestruturas

O carvão foi o primeiro dominó. Não o último.

Conclusão: o fim que não é um fim

No início perguntámos se o carvão tinha realmente acabado no Reino Unido.

A resposta correta em 2026 é esta: acabou como fonte de eletricidade — e isso mudou tudo.

Mas o verdadeiro legado do carvão não está no passado. Está no aviso que deixou: sistemas energéticos parecem imutáveis… até deixarem de ser.

O Reino Unido aprendeu isso com fuligem, greves, doenças e finalmente turbinas e cabos submarinos.

A próxima transição — longe do gás — já começou.

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