O impacto real do Brexit na economia do Reino Unido em 2026
Brexit soa fechado no calendário, mas aberto na economia. As datas ficaram para trás; os efeitos, não. Em 2026, o choque já não é político — é produtivo, comercial e silencioso, no dia a dia.
Crescimento anémico, comércio redesenhado, investimento cauteloso e trabalho mais caro convivem com novas oportunidades. O impacto real aparece nos números e nas decisões das empresas — é por
Mas aqui está a parte que quase ninguém percebe: o impacto económico do Brexit não aconteceu de uma vez — ele continua a acumular-se em silêncio. E em 2026, os números finalmente permitem separar perceção política de realidade económica.
Este artigo não é sobre quem estava “certo” ou “errado” em 2016. É sobre o que o Brexit realmente fez à economia do Reino Unido até agora — em libras, empregos, comércio e investimento — e o que isso significa para o futuro.

O que é o Brexit — e por que ele ainda importa em 2026
Brexit é a junção de Britain e exit: a saída do Reino Unido da União Europeia. O processo foi ativado pelo Artigo 50.º do Tratado da UE após o referendo de 23 de junho de 2016, quando 51,9% dos eleitores votaram por sair.
O Reino Unido deixou oficialmente a UE em 31 de janeiro de 2020. O período de transição terminou em 31 de dezembro de 2020, e o Acordo de Comércio e Cooperação (TCA) entrou em vigor em janeiro de 2021.
Muitos assumiram que, a partir daí, o impacto económico estaria “resolvido”. Não estava.
Economicamente, o Brexit funciona menos como um choque e mais como uma fricção permanente. Custos pequenos, repetidos milhões de vezes, ao longo de anos.
O grande mal-entendido: “o pior já passou”
Durante anos, o debate público focou-se no curto prazo: queda da libra, volatilidade nos mercados, incerteza política.
Mas os dados analisados até 2025 mostram outra coisa: o impacto do Brexit cresceu com o tempo.
Estudos económicos que combinam dados macroeconómicos e informações diretas de empresas britânicas estimam que, até 2025:
- O PIB do Reino Unido é 6% a 8% menor do que seria sem o Brexit
- O investimento empresarial caiu entre 12% e 18%
- O emprego é 3% a 4% mais baixo
- A produtividade caiu cerca de 3% a 4%
Não houve um colapso. Houve algo mais difícil de perceber — e mais difícil de corrigir: crescimento perdido.
Libra esterlina: menos drama, mais desgaste
No dia seguinte ao referendo, a libra atingiu o nível mais baixo em 31 anos. Isso foi visível. O que veio depois, não tanto.
Entre 2020 e 2025, a libra manteve-se estruturalmente mais fraca do que no período pré-Brexit. Uma moeda mais fraca ajuda exportações no curto prazo, mas também:
- encarece importações
- pressiona a inflação
- reduz o poder de compra das famílias
O resultado? Um custo anual indireto para os consumidores britânicos, especialmente em energia, alimentos e bens importados.
Comércio: o mito da substituição fácil
Um dos argumentos centrais do Brexit era simples: sair da UE permitiria ao Reino Unido negociar melhores acordos com o resto do mundo.
Em teoria, sim. Na prática, até 2026, os números mostram limites claros.
Em 2024, último ano com dados consolidados:
- A UE ainda representava 41% das exportações britânicas
- Representava 51% das importações
- As exportações de bens para a UE estavam 18% abaixo dos níveis de 2019
- As exportações de serviços cresceram, mas não compensaram totalmente a perda em bens
Novos acordos com países como Austrália, Canadá e membros do CPTPP existem — mas o impacto económico agregado continua modesto quando comparado ao mercado europeu, geograficamente próximo e integrado.
Investimento estrangeiro: a porta de entrada fechou
Durante décadas, o Reino Unido funcionou como a principal porta de entrada para o mercado único europeu.
Depois do Brexit, essa vantagem desapareceu.
O investimento direto estrangeiro (IDE) não desapareceu — mas tornou-se mais seletivo. Muitas multinacionais moveram centros logísticos, jurídicos e financeiros para cidades da UE como Amesterdão, Dublin, Paris e Frankfurt.
Isso não cria manchetes dramáticas. Cria algo pior: menos decisões futuras a favor do Reino Unido.
Mão de obra e imigração: o efeito invisível
A imigração de cidadãos da UE caiu de forma acentuada após 2020.
Sectores como:
- saúde
- agricultura
- hotelaria
- construção
relataram escassez crónica de trabalhadores entre 2022 e 2025. Isso elevou salários em algumas áreas — mas também aumentou custos, preços e atrasos.
Não foi um colapso do mercado de trabalho. Foi uma redução da flexibilidade económica.
Então… o Brexit “falhou”?
Depende da pergunta errada.
O Brexit não causou uma crise imediata. O sistema não entrou em colapso. O Reino Unido continua uma economia avançada, com um setor de serviços forte e influência global.
Mas os dados até 2026 mostram algo difícil de negar:
O custo do Brexit não é um evento. É uma diferença permanente entre o Reino Unido real e o Reino Unido que poderia ter sido.
Menos investimento. Menor produtividade. Menor crescimento acumulado.
E essa diferença aumenta com o tempo.
Fechando o ciclo: o que realmente aprendemos
No início, parecia que o Brexit seria julgado por um momento dramático.
Em 2026, fica claro que ele será julgado por algo muito menos visível: anos de crescimento que nunca aconteceram.
E essa talvez seja a lição mais desconfortável de todas — porque não aparece num gráfico diário, mas molda silenciosamente o futuro económico de uma geração inteira.

