Petróleo na Escócia em 2026: O que mudou, o que acabou e o que vem a seguir

O petróleo na Escócia não morreu — transformou-se. Em 2026, o Mar do Norte já não é o motor de outrora, mas também está longe de ser irrelevante. Entre campos que resistem, ativos reaproveitados e novas prioridades políticas, o setor entrou numa fase decisiva.

Algumas certezas ruíram, outras consolidaram-se e surgiram caminhos inesperados. Para perceber o que realmente mudou, o que ficou para trás e o que ainda está em jogo, é preciso olhar para os factos no terreno.

Mas aqui está a verdade que quase ninguém diz em voz alta: o petróleo ainda molda decisões económicas, políticas e comunitárias na Escócia em 2026 — só que de uma forma completamente diferente.

Este não é apenas um guia sobre petróleo. É um mapa para entender o fim de uma era industrial… e o nascimento de outra.

Plataforma de petróleo no Mar do Norte, Escócia, simbolizando a indústria petrolífera escocesa

Introdução: por que 2026 é um ponto de viragem

Em janeiro de 2026, a Escócia encontra‑se num momento histórico. A produção de petróleo continua, especialmente no Mar do Norte e a oeste de Shetland, mas as regras do jogo mudaram.

Não há novas licenças de exploração emitidas pelo governo do Reino Unido. O foco oficial é claro: gerir os campos existentes até ao fim da sua vida útil, enquanto se acelera a transição para energia limpa.

Uma breve história (necessária) do petróleo na Escócia

Tudo começou em 1851, quando o químico escocês James Young produziu petróleo a partir de xisto — décadas antes do boom global do crude.

Mas a verdadeira viragem ocorreu nos anos 1960, com a descoberta de petróleo e gás no Mar do Norte. Durante décadas, estas reservas financiaram infraestruturas, empregos e receitas fiscais que ainda hoje sustentam comunidades inteiras.

História da indústria petrolífera na Escócia, do xisto ao Mar do Norte

Exploração e produção em 2026: menos campos, mais estratégia

Ao contrário do que muitos pensam, a produção não parou. Ela concentrou‑se.

As duas regiões que ainda importam

  1. Mar do Norte: campos históricos como Forties, Brent e Ninian continuam a produzir, embora em declínio natural. A prioridade é eficiência, não expansão.
  2. Oeste de Shetland: responsável por cerca de 30% da produção do UK Continental Shelf. Projetos como Rosebank e Clair sustentam esta região até, pelo menos, a década de 2040.

Quem manda agora?

As gigantes internacionais — BP, Shell, TotalEnergies — continuam presentes, mas com um novo árbitro.

Desde 2022, a antiga OGA chama‑se North Sea Transition Authority (NSTA), com sede em Aberdeen. O seu mandato é explícito: maximizar valor económico enquanto reduz emissões.

Produção: os números reais

Em 2025, a produção do Mar do Norte britânico rondou 1,1 milhões de barris de óleo equivalente por dia, sendo a Escócia responsável pela maior fatia.

O consenso oficial é claro: a produção continuará a cair, mas de forma gerida, não abrupta.

Infraestrutura: quando uma refinaria fecha, tudo muda

Aqui está a mudança que muitos ainda não compreenderam.

Grangemouth: o fim da refinação na Escócia

Em abril de 2025, a Refinaria de Grangemouth — a única da Escócia — cessou o processamento de crude.

Hoje, em 2026, o local funciona como terminal de importação e distribuição de combustíveis. A Escócia já não refina o seu próprio petróleo.

Impacto direto: cerca de 400 empregos especializados desapareceram. Impacto estratégico: maior dependência de combustíveis importados.

Oleodutos e terminais que ainda sustentam o sistema

  1. Forties Pipeline System (FPS): liga o Mar do Norte a Grangemouth.
  2. Terminal de Sullom Voe: Shetland. Essencial para campos a oeste de Shetland. Endereço: Sullom Voe, Shetland ZE2 9PS.

Regulação em 2026: menos licenças, mais controlo

O ambiente regulatório tornou‑se mais rigoroso e mais previsível.

  1. North Sea Transition Authority (NSTA): licenciamento, emissões, descomissionamento.
  2. Health and Safety Executive (HSE): segurança offshore.
  3. Scottish Environment Protection Agency (SEPA): impacto ambiental.

Não existem novas licenças de exploração ativa aprovadas após 2024. A política oficial é clara: transição justa, não expansão.

Empregos, comunidades e o custo humano

Aberdeen ainda é conhecida como a “capital europeia do petróleo”. Mas o título está a mudar de significado.

Em 2026, milhares de trabalhadores estão a ser requalificados através do Oil and Gas Transition Training Fund, financiado pelos governos escocês e britânico.

Desafios e oportunidades reais

Desafio: declínio inevitável da produção e perda de empregos tradicionais.

Oportunidade: reutilização de competências em eólica offshore, captura de carbono (CCS) e hidrogénio.

O mesmo Mar do Norte que extraiu petróleo durante 60 anos está agora a ser preparado para armazenar até 78 mil milhões de toneladas de CO₂.

Conclusão: o petróleo não acabou — mudou de papel

No início, dissemos que o petróleo parecia uma história encerrada.

Agora você sabe a verdade: ele é a ponte.

Uma ponte entre o passado industrial da Escócia e o seu futuro energético. Quem entender isso em 2026 não está a olhar para trás — está a posicionar‑se para o que vem a seguir.